Os ministros de Economia e presidentes de bancos centrais do G-20, reunidos ontem em Paris, chegaram a um acordo para a criação de indicadores de desequilíbrio macroeconômico, prioridade número 1 do evento. Os critérios escolhidos foram dívida e déficit públicos, poupança e dívida privada e o balanço em conta corrente - que 'levará em consideração', com menor importância, aspectos como taxa de câmbio e política monetária.
O documento final do encontro confirma a maior ambição do país anfitrião, a França, que havia traçado a definição dos indicadores como a mais urgente, uma base para aprimorar o equilíbrio macroeconômico global no G-20 de Cannes, em novembro.
O compromisso, costurado com dificuldades entre sexta-feira à noite e sábado, prevê que os indicadores serão baseados em critérios de conjuntura interna - déficit e dívida públicas e poupança e dívida privadas -, e relativos ao cenário externo - balança de bens e serviços, remessas e transferências internacionais.
'Estamos muito satisfeitos pelos resultados atingidos', disse a ministra da Economia da França, Christine Lagarde, falando em nome do G-20. 'Conseguimos definir a lista de indicadores que vão servir para testar as políticas econômicas e determinar de qual maneira são propícias ao conjunto dos Estados e não só à política interna de um país.'
Uma das vitórias do acordo, segundo ela, foi incluir elementos como taxa de câmbio, políticas fiscal e monetária no comunicado final, temas que enfrentavam restrições dos emergentes. 'Vocês podem imaginar que a inclusão da taxa de câmbio e da política monetária foram objetos de longo debate', disse Christine.
Entretanto, o Estado apurou que esses elementos serão usados só como referência, e não são propriamente indicadores. 'Foi usada uma linguagem ambígua no comunicado. Esses componentes ficam juntos da conta corrente, mas não têm exatamente o mesmo peso', explicou um negociador brasileiro. 'Foi uma concessão que se fez para conseguir o apoio da China.'
Reservas. A proposta da França de incluir reservas internacionais não foi aceita. O tema já havia sido vetado pelos Brics, inclusive o Brasil, sexta-feira (o grupo tem ainda Rússia, Índia e China). Os emergentes temiam que a inclusão do volume de reservas entre os indicadores pudesse abrir a porta para a criação de limites de acumulação.
A partir da definição dos indicadores, o Fundo Monetário Internacional (FMI) trabalhará em estudo sobre quais países contribuem mais ou menos para o desequilíbrio macroeconômico global - na prática, China, EUA, Alemanha e Japão.
Qualquer que seja o resultado do estudo do FMI, ele não significará qualquer caráter coercitivo. Essa é outra decisão importante dos ministros, porque, na prática, os indicadores não resultarão em obrigações aos países considerados 'causadores de desequilíbrios'. Esses governos receberão apenas 'recomendações' para que se integrem melhor à economia global, e nenhum será obrigado a tomar medidas para melhor adaptar sua política macroeconômica.
'Não são metas, não são objetivos. São só indicadores, sem caráter obrigatório', disse Christine, questionada pelo Estado
O documento final do encontro confirma a maior ambição do país anfitrião, a França, que havia traçado a definição dos indicadores como a mais urgente, uma base para aprimorar o equilíbrio macroeconômico global no G-20 de Cannes, em novembro.
O compromisso, costurado com dificuldades entre sexta-feira à noite e sábado, prevê que os indicadores serão baseados em critérios de conjuntura interna - déficit e dívida públicas e poupança e dívida privadas -, e relativos ao cenário externo - balança de bens e serviços, remessas e transferências internacionais.
'Estamos muito satisfeitos pelos resultados atingidos', disse a ministra da Economia da França, Christine Lagarde, falando em nome do G-20. 'Conseguimos definir a lista de indicadores que vão servir para testar as políticas econômicas e determinar de qual maneira são propícias ao conjunto dos Estados e não só à política interna de um país.'
Uma das vitórias do acordo, segundo ela, foi incluir elementos como taxa de câmbio, políticas fiscal e monetária no comunicado final, temas que enfrentavam restrições dos emergentes. 'Vocês podem imaginar que a inclusão da taxa de câmbio e da política monetária foram objetos de longo debate', disse Christine.
Entretanto, o Estado apurou que esses elementos serão usados só como referência, e não são propriamente indicadores. 'Foi usada uma linguagem ambígua no comunicado. Esses componentes ficam juntos da conta corrente, mas não têm exatamente o mesmo peso', explicou um negociador brasileiro. 'Foi uma concessão que se fez para conseguir o apoio da China.'
Reservas. A proposta da França de incluir reservas internacionais não foi aceita. O tema já havia sido vetado pelos Brics, inclusive o Brasil, sexta-feira (o grupo tem ainda Rússia, Índia e China). Os emergentes temiam que a inclusão do volume de reservas entre os indicadores pudesse abrir a porta para a criação de limites de acumulação.
A partir da definição dos indicadores, o Fundo Monetário Internacional (FMI) trabalhará em estudo sobre quais países contribuem mais ou menos para o desequilíbrio macroeconômico global - na prática, China, EUA, Alemanha e Japão.
Qualquer que seja o resultado do estudo do FMI, ele não significará qualquer caráter coercitivo. Essa é outra decisão importante dos ministros, porque, na prática, os indicadores não resultarão em obrigações aos países considerados 'causadores de desequilíbrios'. Esses governos receberão apenas 'recomendações' para que se integrem melhor à economia global, e nenhum será obrigado a tomar medidas para melhor adaptar sua política macroeconômica.
'Não são metas, não são objetivos. São só indicadores, sem caráter obrigatório', disse Christine, questionada pelo Estado
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