Sob pressão interna pelo envolvimento de Washington na intervenção militar da Líbia, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu a participação de Washington na ação indicando nesta segunda-feira que sua administração tomou as medidas necessárias para evitar a repetição de erros que levaram ao envolvimento de oito anos no Iraque.
Falando na Universidade de Defesa Nacional em Washington, Obama defendeu sua administração contra reclamações de que a ação de guerra foi posta em marcha sem consultas apropriadas ao Congresso e sem oferecer à população americana um motivo claro para a participação americana.
“Disse que o papel dos EUA seria limitado; que não usaríamos tropas terrestres na Líbia; que poríamos ênfase no front final da operação; e transferiríamos a responsabilidade para nossos aliados e parceiros", disse Obama em um discurso à nação.
“Nesta noite, estamos cumprindo essa promessa", afirmou, lembrando que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) assumiu o comando da zona de exclusão aérea no país e controlará totalmente a ofensiva militar no país a partir de quarta-feira. “Por causa dessa transição para uma coalizão mais ampla, com base na Otan, o risco e custo dessa operação - para nossos militares e os contribuintes americanos - serão reduzidos significativamente", afirmou.

Foto: AP
Obama discursou sobre a Líbia na noite desta segunda-feira, em Washington
Segundo o presidente americano, o objetivo dos EUA juntamente com a coalizão internacional sob mandato da ONU não é depor o líder líbio, Muamar Kadafi, mas proteger a população civil e evitar uma tragédia humanitária. De acordo com Obama, seria um erro ampliar a missão militar para incluir uma mudança de regime.
“Para ser claro, percorremos esse caminho no Iraque", afirmou. “Graça aos sacrifícios extraordinários de nossos soldados e à determinação de nossos diplomatas, temos esperança sobre o futuro iraquiano. Mas lá a mudança de regime custou oito anos, milhares de vidas americanas e iraquianas, e quase um US$ 1 trilhão. Isso não é algo que podemos nos dar ao luxo de repetir na Líbia", afirmou.
Obama usou seu pronunciamento de 27 minutos para dizer que, em vez de esperar que Kadafi empreendesse um massacre contra a população do próprio país, os EUA buscaram uma "ampla coalizão" para "proteger os civis, suspender o avanço das forças leais de Kadafi (sobre o reduto rebelde de Benghazi), evitar um massacre e estabelecer uma zona de exclusão aérea".
O líder americano disse que há um importante interesse estratégico dos EUA em intervir na Líbia: um massacre prejudicaria movimentos democráticos em países vizinhos e enviaria mensagens a outros ditadores de que eles podem recorrer à violência para se agarrar ao poder.
Comentário crítico:
A ação de Obama para interromper suas tropas no território terrestre da Líbia pode ser considerada como algo muito subjetivo. No último parágrafo, Obama afirma que as ações de massacre de Kaddafi "prejudicaria movimentos democráticos em países vizinhos", o que levaria outros ditadores a pensar que "eles podem recorrer à violência para se agarrar ao poder". Mas seria isso apenas preocupação com as possíveis guerras civis ao longo do Oriente Médio? Ou seria uma tentativa de recuperar o poder nesses países, que no momento passam por um período tão conturbado? Até mesmo o povo americano questiona a participação dos Estados Unidos nessa intervenção na Líbia. Afinal de contas, qual é o verdadeiro motivo para isso? A Otan assumirá as tropas terrestres - e os custos/consequências disso - mas seguirão orientações americanas? O interesse americano pelo poder é algo que vem marcando a História mundial há muito tempo, e pode-se considerar os atuais eventos no Oriente Médio como mais um exemplo disso.
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