O procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno-Ocampo pediu ontem a prisão de Muamar Kadafi e seu filho Saif al-Islam por crimes contra a humanidade, em uma tentativa de fechar o cerco contra o ditador líbio que, mesmo sob ataque, rejeita a ideia de entregar o poder.
Para diplomatas ocidentais, o pedido de prisão serve como um último alerta a Kadafi, de que ele ainda pode entregar o poder e se retirar do país. No entanto, se ele não aceitar a saída até o fim deste mês, não será poupado de um julgamento internacional.
As acusações são de que ambos, pai e filho, ordenaram e executaram operações que levaram à morte centenas de civis desarmados, alguns em suas próprias casas. Outro membro da cúpula do governo de Kadafi, o chefe de inteligência da Líbia, Abdullah al-Sanusi, também teve a prisão pedida.
A medida obriga os países que aderiram ao TPI a prender e enviar para Haia os três líbios, caso eles façam alguma viagem para esses territórios. Diante do conflito, porém, essa perspectiva é improvável. No entanto, uma eventual ação da Otan que resulte em prisões dentro da Líbia obrigaria que o trio fosse levado a julgamento na Europa.
Segundo o ministro de Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, Roma e a ONU estariam trabalhando em uma solução política para "tirar o ditador de cena e permitir um governo de reconciliação nacional". Frattini deixou claro que essa negociação duraria apenas até o fim de maio e garantiu que Kadafi procura um lugar para "desaparecer" da vida pública.
Moreno-Ocampo afirmou ter tomado a decisão de pedir as prisões depois de avaliar 1,2 mil documentos e 50 entrevistas com testemunhas em 11 países.
COMENTÁRIO CRÍTICO: Quase todo o mundo sonha com o dia em que a Líbia se verá livre do ditador Kadafi, porém, até agora, ninguém parou para pensar o que será do país após a queda do atual governo. Afinal, nada impede uma nova ditadura de se formar, ou então a criação de um governo provisório como ocorreu no Egito. As expectativas pela prisão de Kadafi são mais um exemplo disso. As notícias, como a anterior, tentam passar a ideia de que tudo será resolvido, porém, de momento, não se pode ter certeza de nada.
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